Loading...

Aumento nas importações: Brasil eleva tarifas para até 20% e impacta mais de 1.000 produtos

O aumento nas importações ganhou destaque no início de 2026 após o governo federal elevar as tarifas de Imposto de Importação para bens de capital e tecnologia. A medida, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Camex, pode afetar diretamente os custos de máquinas, equipamentos, eletrônicos e serviços em todo o país.

A decisão foi formalizada por meio da Resolução GECEX nº 852/2026, publicada em 5 de fevereiro, e alterou as alíquotas da Tarifa Externa Comum para mais de 1.000 NCMs de bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT).

Como fica o aumento nas importações na prática

Com a nova regra, as alíquotas passam a obedecer ao seguinte escalonamento:

  • NCMs com alíquota inferior a 7,2% passam para 7,2%
  • NCMs entre 7,2% e 12,6% passam para 12,6%
  • NCMs entre 12,6% e 20% passam para 20%

O reajuste pode representar um aumento de até 7,2 pontos percentuais, elevando significativamente o custo de importação de máquinas, peças e componentes tecnológicos.

Para empresas que dependem de modernização tecnológica, o aumento nas importações impacta diretamente o planejamento financeiro e a viabilidade de novos projetos.

Impacto na competitividade da indústria brasileira

O cenário é particularmente sensível porque grande parte do parque industrial brasileiro opera com equipamentos antigos, muitos com mais de 20 anos de uso. Ao mesmo tempo, a indústria nacional de bens de capital não supre integralmente a demanda interna por tecnologia de ponta.

Nesse contexto, o regime de Ex-Tarifário sempre funcionou como ferramenta estratégica, permitindo a importação de bens sem similar nacional com alíquota zero, mediante processo técnico junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Com o aumento nas importações, o custo de modernização tende a subir, pressionando investimentos e reduzindo competitividade.

Segundo Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group:

“O aumento das alíquotas impacta diretamente a capacidade de investimento das empresas. Estamos falando de máquinas, peças e tecnologia essenciais para modernização e ganho de produtividade. Quando o custo sobe de forma abrupta, muitos projetos ficam comprometidos e a competitividade do Brasil no cenário internacional é afetada.”

Efeito em cadeia: da indústria ao consumidor

O aumento nas importações não afeta apenas grandes indústrias. A lista de produtos impactados inclui:

  • Bombas de elevação de líquidos
  • Válvulas e motores elétricos
  • Componentes para mineração e construção
  • Semicondutores
  • Equipamentos de telecomunicações
  • Antenas e celulares

Como o Brasil é 100% dependente da importação de semicondutores, qualquer elevação tarifária tende a gerar efeito em cadeia.

Na prática, o consumidor pode sentir reflexos em:

  • Preço de motores de portão em condomínios
  • Valor de televisores e eletrodomésticos
  • Manutenção de equipamentos hospitalares
  • Custo de exames médicos
  • Obras de infraestrutura, como metrôs e mineração

De acordo com Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group:

“Muitas empresas firmaram contratos considerando alíquotas inferiores. Em diversos casos, o aumento consome totalmente a margem da operação. Isso pode gerar necessidade de renegociação, atrasos no fornecimento e até revisão de quadros para absorver o aumento de custos.”

Empresas fornecedoras de equipamentos para perfuração e mineração podem ter reajustes superiores a 10%, o que amplia o risco de atrasos em projetos públicos e privados.

Risco inflacionário e insegurança jurídica

Especialistas alertam que o aumento nas importações pode pressionar índices inflacionários, afetar cadeias produtivas e gerar insegurança jurídica, principalmente em contratos já assinados.

Como alternativa temporária, a Resolução GECEX nº 853/2026 abriu prazo excepcional entre 9 de fevereiro e 31 de março de 2026 para pedidos de redução temporária da alíquota para 0% em produtos anteriormente beneficiados, com concessão provisória por até 120 dias.

Segundo Fracola:

“Essa alternativa é importante, mas é temporária. As empresas precisam agir rapidamente, com processos bem estruturados, para tentar mitigar os impactos imediatos. Ainda assim, o ambiente exige cautela e planejamento estratégico.”

Debate sobre política industrial e proteção de mercado

O aumento nas importações reacende o debate sobre política industrial, proteção da indústria nacional e competitividade global.

Medidas semelhantes já foram adotadas no passado, como a elevação do imposto de importação de veículos na década de 1990, que buscava fortalecer a produção interna, mas também reduziu a pressão competitiva externa.

Para Mauro Lourenço Dias, o equilíbrio é o principal desafio:

“O Brasil precisa fortalecer sua indústria, mas também precisa de acesso a tecnologia de ponta. Aumentar imposto pode gerar arrecadação no curto prazo, mas pode encarecer investimentos e retardar a inovação. O impacto não fica apenas na importação, ele se espalha por toda a cadeia econômica.”

Aumento nas importações exige planejamento estratégico

Com pouco mais de três décadas de abertura comercial mais consistente, o Brasil ainda busca equilíbrio entre proteção, competitividade e inserção global.

Enquanto isso, o aumento nas importações já provoca revisão de contratos, replanejamento financeiro e reavaliação de investimentos em diversos setores. Empresas que dependem de tecnologia importada precisarão reforçar análise tributária, gestão aduaneira e planejamento estratégico para minimizar impactos e preservar competitividade.

Voltar para o Blog
Políticas de privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Clique aqui para acessar nossa Política de Privacidade.